Mas fodasse, onde estás tu?

19:04 Unknown 0 Comments

Queria voltar ao normal. Deixar de te colocar em qualquer pedestal dos quais já te coloquei à tanto tempo atrás. Eras o meu mundo perfeito. Eras a minha profecia, a minha sina. Onde estamos agora? A saudade é tanta, onde te escondes-te? Coloco-te em primeiro lugar todos os dias. És a primeira pessoa a quem digo bom dia e a última de quem me despeço. Consegues compreender isso? Amar tanto assim que tira o ar? Que sufoca cada célula do meu corpo? Que o mantém inativo? Porque é que mais uma vez nos encontramos em trilhas diferentes? Porque é que todas as minhas perguntas te têm como resposta? Mas fodasse, onde estás tu? Estou cansada de todo este amor que me vai matando todos os dias. Não consigo falar, mas ouve os meus silêncios. Eles dizem-te todos os dias o quanto o teu sorriso me mantém viva, o quanto o teu abraço me recompõem! Consegues ouvi-los? Ouvir a sinfonia que o meu coração te toca? E a promessa de que era eterno? Quebramos isso, aliás quebramos tudo, mas mesmo assim sei-te de cor. Sei cada traço que o teu corpo desenha. Sei cada respiração tua, sei que cada suspiro trás uma preocupação nova atrás. Conheço-te melhor que ninguém e mesmo assim sou tão nada. Estou tão desamparada que assusta. Já não consigo suportar o meu corpo. Estou sozinha, consegues entender? Eu não me recomendaria a mim própria. Que insanidade mental que vive em mim.
Hoje passaste pela minha memória, relembrei-te tão bem, de quando esse sorriso branco e limpo de orelha a orelha aparecia sempre que me vias chegar. Era reconfortante vê-lo no decorrer do domingo em que me levavas a ver o por-do-sol à praia, fizesse chuva, fizesse sol. Era quase como uma promessa que ambas tencionava-mos cumprir. Onde estás tu agora? Para que hospício levas-te o meu coração? Que muralhas destruís-te? Porquê? Sinto-me nula. Que se fodam os quilómetros que nos separam, que se fodam os ciúmes, que se fodam as outras, que se fodam. Precisava de ti naquela hora, naquele dia era apenas a tua presença que me fazia ficar minimamente bem, mas nem isso tive. Não fui merecedora desse amor tão gigantesco que tu enches a boca para falar. Amei-te todos os dias, sem falhar um. Amei-te tanto que não sobrou espaço para mais nada. Que infeliz. Quanto tempo mais vamos continuar a fingir?
Essa pele moreno, oh como eu a amo. Como eu sei cada traço seu, cada cicatriz, cada centímetro. Fodasse, sei-te de cor e nunca me cansei de tudo isso. Dar-te-ia a vida se fosse preciso, sem pensar.

0 comentários: