maktub
As pessoas criticam-me muito. Intitulam-me como louca, mas o que existe mais insano que o amor? E o nosso é a prova viva disso. Podia escrever-te e jurar-te amor eterno. Jurar que és a única pessoa capaz de mover cada célula do meu corpo, mas é algo tão fatela que se torna vulgar. Eu não quero, de todo, denegrir essa tua imagem perfeita, de pinga-amor... mas sei-lo de cor. Todo o teu corpo, essa pele morena sem qualquer cicatriz, decifrei cada beijo teu, a forma meiga como fazes amor, o quanto detestas o teu sorriso em fotos mas é a única coisa que adoras na vida real. Única não. A única coisa real que adoras é o meu, isso sim é o correto, mas eu sei-lo. Eu sei a tua verdade, sei o que há por baixo dessa manta, desse sorriso falso, nas lágrimas durante a noite e principalmente na falta que te faço. Não desminto para ninguém que sei, piamente, que me amas, como jamais - frizando-o bem- amas-te alguém. Mas de que me valeu esse amor irrevogável? Tu foste embora, fodasse. Foste embora sem nunca me dares uma justificação e do nada voltas. Oh e se voltas .... e quando o fazes, todo o meu sistema cardíaco volta a regularizar, por mais cliché que isso seja. Já beijei tantas bocas depois da tua, já senti uns quantos corpos com tanta sede do meu e senti-me impotente por saber que a minha sede só será saciada com o teu. Eu sei-lo de cor, ainda não entendes-te? Eu sou capaz de olhos fechados, responder a todas as perguntas sobre ti. Sei cada pedacinho da tua história, cada pedacinho do que forma esse metro e oitenta. Eu sei tudo, tudo sobre ti.
Dizem-me que as tatuagens são algo eterno, que se marcam e alojam em qualquer espaço do corpo e que jamais algum dia saem, mas porque não me avisaram que tu serias uma tatuagem? Detesto-te tanto quanto te amo e essa bipolaridade vai-me matando um pouco mais a cada dia que passa. E eu. Logo eu, que desacreditava piamente que o amor não mata ninguém. Que irónico, o teu matou-me a mim.
